CABANA ENTREVISTA: Revelação do indie-folk mineiro, Saulo Mendes estreia com EP ‘Nuances’

O cantor e compositor inicia brilhantemente sua caminhada, com EP produzido por Jay Horsth, da Young Lights

Viver é tão complexo que chega a ser indescritível. Quando crianças, nossa maior preocupação é com o que vamos brincar e como vamos nos divertir. Nascem gostos, talentos, habilidades, mas, muitas das vezes, quando nos tornamos adultos, eles são guardados em uma caixinha que faz tudo virar nostalgia. Somos condicionados a priorizar o que nos fará “ser alguém na vida“, por isso, às vezes, para realizar o que traz felicidade é preciso coragem, bem como fez o cantor e compositor mineiro Saulo Mendes. Com seu EP de estreia ‘Nuances‘, fruto de muito trabalho e determinação, ele vem sutil, calmo e sereno, cantando sobre o amor e seus efeitos, desde a satisfação até a melancolia.

Saulo Mendes

Foto: Lucca Mezzacappa

Nos últimos dois anos da vida de Saulo Mendes, a música tomou proporções ainda maiores, deixando de significar um hobby especial desde a infância, para traçar os caminhos de sua carreira. Foi quando Saulo entregou seu tempo, sua energia e seus sonhos de menino para embarcar numa viagem que introduziu seu nome na cena musical independente de Belo Horizonte e, agora, o fez estrear com um EP construído por artistas de destaque.

Ele estudou piano e aprimorou seu inglês com ninguém mais, ninguém menos do que Jay Horsth, vocalista e compositor da banda Young Lights, referência do indie-folk mineiro. Mais tarde, Saulo foi novamente corajoso e convidou Jay para ser o produtor de seu EP de estreia. Deu tudo mais que certo, e o resultado está no mundo desde o dia 29 de setembro. O trabalho é autoral e conta com a colaboração de vários artistas de Minas Gerais, inclusive participação de Dvniel Moreira, da banda Chico e o Mar, em uma das faixas.

Escutar ‘Nuances‘ é uma experiência tão agradável como ouvir Bon Iver, The National, Fleet Foxes, Novo Amor e outros nomes da cena indie-folk. Para além das inspirações indie, folk e rock, a sonoridade que Saulo entrega em seu EP de estreia tem essência e estética única, por isso merece atenção. A delicadeza transparece musicalmente em todas as seis faixas, fazendo a gente já imaginar que o processo de criação da obra e a trajetória de Saulo até aqui também é cheia de sensibilidade e história pra contar. Descobrimos um pouco disso em uma breve conversa com o artista, que você confere agora:

Entrevista com Saulo Mendes:

Cabana: Saulo, seu EP ‘Nuances’ chama atenção por vários aspectos, principalmente pela sensibilidade. O clima nostálgico e a forma delicada de falar sobre os sentimentos, além da sonoridade que envolve quem escuta. Esse seu trabalho autoral marca o início de uma fase da sua vida em que a música já não é só mais algo que te brilha os olhos desde criança, mas agora é seu ofício também. Como foi o processo para chegar até aqui, estreando com seu EP?

Saulo: Foi um processo que levou tempo para amadurecer. Talvez anos tentando me encontrar musicalmente até me sentir confortável em um estilo. Esse processo não veio sem dores e frustações, e inclusive espelham sentimentos que vivi durante a minha vida. Mas também foram meses de muito desenvolvimento pessoal e profissional, hoje me sinto um cantor e compositor mais completo. Antes mesmo do fim desse trabalho minha cabeça já começou a mergulhar em novas ideias, mas essa nova fase só veio graças a experiência que tive com esse EP.

C: Imagino que a parceria com o Jay Horsth tenha sido muito especial pra você, não só por ele ser uma referência na cena indie-folk de BH, mas também pela experiência de vida e ligação direta dele com os EUA, tanto que te ajudou a se aperfeiçoar no inglês. Como foi esse encontro entre vocês, até tê-lo como produtor musical nesse trabalho?

S: O Jay é uma pessoa muito especial pra mim. Ele me conhece desde a época em que eu gatinhava. Ele me acolheu e me deu um grande empurrou pra continuar. Como professor, por também ter morado nos EUA, suas aulas foram fundamentais para melhorar minha pronúncia e escrita. Como ele também é músico, o viés artístico sempre existiu na nossa proposta de aprendizado. Depois de um tempo ele começou a produzir minhas primeiras músicas a serem lançadas, ainda em meados de 2020. Todo esse processo que fizemos online durante a pandemia culminou no EP Nuances hoje.

C: Não só Jay, mas todos os artistas que estiveram com você nessa jornada são nomes brilhantes da música mineira. Devido à pandemia, grande parte das faixas foram gravadas a distância, por videochamadas, cada um em sua casa. Que tudo deu certo, a gente percebe escutando o EP, mas imagino que tenha sido bem desafiador, não é?

S: Foi desafiador principalmente porque não possuía noções de produção e gravação. Eu tive aprender na marra, digamos assim. Um pouco de cara dura também foi necessária, não vou negar. Tive que criar coragem de acreditar no que estava fazendo e de chamar tantos músicos talentosos que toparam participar do EP. O processo de produção do primeiro single “Evergreen”, foi o mais demorado. Foram meses trabalhando a música e encaixando as participações externas. Fui fazendo enquanto aprendia. Depois dessa experiência as outras músicas fluíram mais rapidamente.

C: Não sei nem te dizer o porquê, talvez pela atmosfera intimista do EP, mas algo diz que suas composições têm muita história para contar; seja nas letras ou no processo de criação delas. Faz sentido isso? Se sim, conta pra gente algumas curiosidades por trás desse projeto e das canções!

S: Sim, faz muito sentido. Cada música tem uma história própria, as vezes também autobiográfica. Outras vezes, representam sentimentos mais abstratos, mas que certamente têm uma carga de vivência. As músicas que compus há mais tempo são de 2019. Então refletem o que se passou por mim desde então. Desilusões amorosas, incertezas e mudanças. Mas os processos de composição variam. Posso contar por exemplo o caso de “Chemical”. Eu tive um gatilho de criação simplesmente porque iria assistir um filme que se chama “Chemical Hearts”. No final das contas eu larguei o filme pra lá e fui gravar a guia da música. Meses depois, eu acabei vendo o filme, e não só gostei muito, como também me emocionei. Eu vi muito da mensagem do filme na letra que havia feito. E senti também que a música de certa forma falava sobre o filme. Tudo meio às cegas, mas com uma conexão inexplicável.

C: Não poderia deixar de te perguntar sobre essa capa linda. Qual o conceito dela?

S: A capa é encantadora e foi feita pelo artista Marcus Turíbio. O processo de criação dele foi bem complexo e logico. Mas ele estudou as próprias letras das músicas e tentou extrair coisas em comum. Algumas palavras vieram, como “fire”. Acho que a partir daí e de outras referências estéticas veio o resultado final.

C: Agora é momento de aproveitar e celebrar que seu primeiro EP já está no mundo. É a partir dele que virão planos e mais planos para o futuro da sua carreira Aliás, já tem algo preparado para sair em breve, como resultado do lançamento de ‘Nuances’? O que você almeja? E quando os tempos estiverem melhores, podemos esperar por shows?

S: Muito obrigado. Esse ciclo foi fechado com muito orgulho, mas visão do futuro também. Já estou preparando um álbum que, se tudo der certo, começará a ser mostrado neste ano ainda! Com uma sonoridade mais madura e novas referências. Ainda em inglês, mas, posso dizer que em algum momento, talvez em pouco tempo, eu comece a soltar meus trabalhos em português também.  Sobre a segunda pergunta, eu creio que aos poucos os shows e eventos de música autoral vão retornando à normalidade. Já estou preparando repertórios para voltar a tocar, mas sem grandes shows marcados ainda.

Escute o EP ‘Nuances’, de Saulo Mendes:

Clique aqui para escutá-lo nas demais plataformas

Ficha Técnica:

Capa: Marcus Turíbio

Produção Musical: Jay Horsth e Guilherme Vittoraci

Bateria: Gabriel Bruce e Caio Gomes

Pianos: Bruno Medeiros

Guitarra: Matheus Fleming e Guilherme Vittoraci

Violoncelo: Gui Barros

Mix/Master: Pedro Cambraia (Cido)

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