LUTO: Marília, hoje nossa “sofrência” é por te perder

Revolucionária, transformadora, representativa, guerreira, simpatia em pessoa. Esta foi Marília.

Marília Mendonça

Era só uma tarde de sexta-feira, até que o Brasil paralisou com uma notícia desoladora: a queda do avião de Marília Mendonça e sua equipe. A esperança esteve conosco até o momento em que foi possível, mas a tragédia foi confirmada com as mortes de Marília, seu produtor Henrique Ribeiro, seu tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, e também o piloto e o copiloto do avião.

Não há como mensurar as perdas. Sobre Marília, além de artista, uma grande cantora e compositora, ela foi uma mulher e mãe inspiradora. Marília veio ao mundo para revolucionar. Menina do interior de Goiás, nascida em Cristianópolis no ano de 1995, encarou os desafios da vida para realizar seu sonho de cantar sobre o que acreditava. Aos 12 anos de idade, já escrevia canções. Ainda adolescente, tímida mas corajosa, ela gostava mesmo era de escutar rock, e se apresentava em barzinhos e outros espaços cantando músicas que curtia.

Relembre Marília Mendonça cantando ‘Teto de Vidro’, da Pitty, no programa Música Boa Ao Vivo:

Um dia, Marília ouviu de alguém, que começaria a compor e cantar músicas sertanejas quanto levasse o “seu primeiro chifre“. Dito e feito. Em meio às dores causadas por relacionamentos frustrados, seu desabafo era nas letras, as quais todo mundo passou a se identificar. Marília foi corajosa, mais uma vez, promovendo destaque ao sertanejo no Brasil e no mundo inteiro – gênero musical construído dentro de uma cultura machista e patriarcal.

Ela não foi só mais uma, pelo contrário. Marília foi e será sempre a “rainha da sofrência“. Ultrapassando as fronteiras de gêneros musicais, ela construiu uma base diversa de fãs e colegas de trabalho, colaborando com artistas como Luísa Sonza, Tribo da Periferia, Léo Santana, além de seus parceiros do sertanejo, como Jorge e Mateus, Luan Santana, Wesley Safadão e Henrique e Juliano. Com Maiara e Maraísa, Marília estava prestes a iniciar a turnê Patroas, projeto em enaltecimento às mulheres e amigas do sertanejo. Deixou seu legado de mulher revolucionária, transformadora, representativa, guerreira, simpatia em pessoa.

Com Marília, o sertanejo ultrapassou barreiras. Com Marília, mais mulheres puderam conquistar seus espaços na música, cantando, compondo, e, especialmente, falando sobre amar a si mesmas. Hoje, nossa sofrência é por sua perda, Marília. A dor é grande, ainda nos sentimos anestesiados. Nossa eterna gratidão a você, por tanto! Pedimos licença para parafrasear aquela canção que você tanto cantou com Di Paulo e Paulino: quando bater a saudade, a gente vai olhar pra aquela Estrelinha no céu e te pedir um sinal. Hoje, ela é sua morada, a sua casinha, e brilha ainda mais com você.

Cabana da Música está em luto pela morte de Marília Mendonça, uma das cantoras e compositoras mais queridas do Brasil.

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