Com indie e dream pop, Julles faz um autorretrato íntimo em seu 1º EP, “Interior”

As faixas do EP da Julles, lançado pelo selo LIFE’s TOO SHORT, traduzem anseios e inseguranças por meio de ambientações ruidosas e letras em inglês e português

Julles Interior

Capa do EP “Interior” da Julles

Já parou pra imaginar como seria se pudéssemos viajar dentro de nós mesmos, dialogando com nossos próprios pensamentos e encarando nossos sentimentos mais profundos? Parece um papo meio maluco mesmo, já que sentimentos e sensações estão no mundo abstrato e não podem ser enxergados ou tocados, mas não é essa a ideia que o EP da Julles transmite. Por meio da música, a artista criou uma atmosfera própria para dialogar com seu próprio “Interior” e convida quem ouve a embarcar nessa viagem intimista junto com ela.

Interior“. É este mesmo o nome do EP de estreia da Julles, e resume muito bem as sensações transmitidas pela obra. A experiência da cantora, compositora, multi-instrumentista e artista visual é constituída por experimentações ruidosas incorporadas na sonoridade dream pop e indie já presente nos singles lançados antes do EP. É toda essa estética turbulenta que materializa e reproduz o interior carregado de melancolia e memórias de Julia Felix, a jovem carioca de 19 anos que está por trás da persona corajosa Julles. Para além de um projeto musical, Julles é a personificação do processo de autoconhecimento, do diálogo consigo mesma e da viagem em seu próprio íntimo.

Cada faixa fala sobre um anseio ou insegurança minha. A proposta é criar uma experiência etérea ao ouvinte que aprecia o trabalho na íntegra, para que, assim como eu, consiga sentir uma viagem ao seu interior”, conta Julles.

O EP foi produzido (no Brasil e na Suíça), captado, mixado e masterizado por Julles. Ela é também a responsável pela identidade visual do EP, lançado pelo selo recifense LIFE’s TOO SHORT. É por meio de Julles e das letras, tanto em inglês e em português, que Julia observa, reflete e desabafa sobre si mesma, e sobre as dores e delícias que ela já conheceu da vida.

Ouça o EP “Interior“, da Julles:

Clique aqui para ouvir o EP nas demais plataformas.

Faixa-a-Faixa do EP “Interior”, por Julles:

1 – “Definitive Definition”

Inspirada em discos de trilha sonora em sintetizador de artistas como Wendy Carlos, Mort Garson e Brian Eno. No meio do processo, idealizei essa faixa funcionando como uma intro, tanto que pode-se ouvir que ela emenda com a segunda música.

2 – “Memória”

Quis fazer um lance meio YMA ‘lo-fi version’, me inspirei bastante nela para as linhas vocais e estrutura geral da música. Foi a mais alterada antes da versão final, mexi ao menos 5 vezes nela até que me agradasse de verdade, adicionando instrumentos, mudando harmonias etc. Pra aumentar a atmosfera amadora, decidi testar efeitos na voz e adicionei um bitcrusher à trilha vocal, que a deixa propositalmente mais chiada e distorcida. A letra fala sobre a percepção da passagem do tempo, a chegada da vida adulta, a nostalgia dos tempos passados e os medos acarretados por isso.

3 – “Faces Sólidas”

Completamente inspirada nos clássicos da banda de dream pop oitentista Cocteau Twins, tanto para composição das linhas dos instrumentos quanto para linhas vocais, que se sobrepõem em harmônico, soando como um coral. Foi a primeira faixa a ser finalizada. Decidi adicionar elementos mais experimentais neste trabalho de guitarra, gravando várias camadas com linhas e efeitos diferentes, por exemplo, como um áudio em reverse. A letra é uma alegoria à minha criatividade: sinestésica, sem muito sentido à primeira vista ou uma temática específica.

4 – “Anxiety?”

Durante os meses de produção do EP, não conseguia parar de ouvir a música “Dancing Girls” da artista Farah, trilha sonora do filme “A Girl Walks Home Alone at Night”, de Lily Amirpour. Decidi que gostaria que uma das músicas do projeto soasse exatamente como essa. Por isso, essa é a mais dançante das faixas, vibe dark disco, é a que mais agrega à pluralidade de influências do EP e, coincidentemente, foi a última a ser composta. Como o título sugere, a letra fala sobre o processo interno que desencadeia uma eventual crise de ansiedade, na qual, infelizmente, já passei muitas vezes.

5 – “Cries and Whispers”

Essa é especial por ter sido surpreendentemente fácil de ser feita pra mim. A compus, gravei e finalizei em 20 minutos. Foi inspirada em músicas de bandas de indie folk como The Microphones e Neutral Milk Hotel, mas com uma estética mais analógica, como sugere o conceito principal do EP. A letra fala sobre a sensação de insegurança em relação à incertezas do futuro, e o título faz menção a um filme do diretor de cinema sueco Ingmar Bergman, um de meus favoritos.

Ficha técnica:

Composição, produção e gravação: Julles;

Mixagem e masterização: Julles

Fotos de divulgação: Julles

Design gráfico: Julles

Selo: LIFE’s TOO SHORT;

Assessoria de imprensa: Cainan Willy.

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