Juçara Marçal apresenta aproximação com o universo do hip hop no single “Crash”

Juçara Marçal CrashEm uma composição de Ogi e produção musical de Kiko Dinucci, Juçara Marçal começa a revelar os tons de seu próximo álbum solo, “Delta Estácio Blues”.

A cantora e compositora Juçara Marçal começa a revelar, com o single “Crash”, as cores e camadas de seu segundo disco solo. Sucessor do aclamado “Encarnado”, “Delta Estácio Blues” está sendo finalizado pela artista ao lado do produtor musical Kiko Dinucci. Composição de Ogi, “Crash” apresenta uma nova faceta da artista e chega com um clipe assinado pela diretora carioca Ana Julia Theodoro (@najur__).

“Delta Estácio Blues” trará a forte presença de Juçara como compositora em todas as etapas e processos de criação: nas colagens eletrônicas que levaram às bases das músicas; letras, melodias, parcerias e poesias; nas variações e investigações que realiza sobre o próprio canto e voz. O primeiro single aproxima a linguagem da artista do rap e do hip hop, em uma espécie de plano sequência musical inspirado no cinema e como uma homenagem à sétima arte.

“‘Crash’ é ataque surpresa, colisão. É grito de vingança. É usar o poder da raiva com astúcia. A base bombástica, pesada, é de Kiko Dinucci. Os versos contundentes são de Rodrigo Ogi, capaz de aliar com precisão e naturalidade Kill Bill, orixá Ogum guerreiro, cenas de HQ, como metáforas do destemor e da violência estratégica”, conta Juçara.

No novo álbum, Juçara Marçal trará também parcerias de composição com Tulipa Ruiz, Siba, Rodrigo Campos, Maria Beraldo e Douglas Germano, além de participação de Catatau na faixa que assinam juntos. A ideia do trabalho é abordar a música eletrônica fora dos clichês e gêneros já conhecidos, propondo novos cenários, investigações rítmicas e buscando um diálogo com o pop, sem deixar de lado a inquietude e a ligação estreita com a música brasileira.

Juçara Marçal Crash

Crédito: Pablo Saborido

Se em “Encarnado” o clima era de tensão, aridez e luto, agora Juçara procura criar edificações, a partir de lascas, destroços, restos, cacofonias. Presentes nas canções, temas que revelam posicionamentos da artista enquanto mulher negra no Brasil de hoje. Racismo, negritude, feminino, ancestralidade surgem em versos contundentes, sem nunca perderem de vista a poesia. Isso surge na música e no potente vídeo que acompanha “Crash”.

“Fiquei muito impressionada com a forma como Naju filma: imagens ágeis, feitas na vertical, para serem vistas na tela do celular. Tudo muito atual, acelerado, urgente. O conteúdo também é algo que impacta. Ela retrata um Rio de Janeiro diferente daquele mais conhecido: o Rio Zona Sul, de belas praias, cartões postais do Brasil, cenário que imediatamente nos leva ao som da bossa nova. O Rio de Janeiro de Naju é o da periferia, é marcadamente negro, é fervilhante… é o Rio do choque de realidade, do jeito de corpo moldado pelo revés, pronto pro embate e pro salto. E o fato de Naju ser skatista não é mera coincidência.”, conta Juçara.

E a cineasta completa: “A ideia principal por trás do vídeo, é mostrar a rua, a agitação suburbana que acontece conforme a batida da música. Tendo como protagonistas — em cenas rápidas — pessoas em situação de vulnerabilidade, revelando a invisibilidade do morador de rua, sobretudo por conta do aumento em grande proporção de pessoas nessa situação nos últimos meses. A ideia das máscaras é passar uma perspectiva artística, e também uma forma de abordagem nas pessoas em que cheguei, tranquilizando elas por não estarem aparecendo seus verdadeiros rostos, mas também sendo uma forma de quem tá na rua protagonizar o projeto”.

Cantora do Metá Metá, ela integrou os grupos Vésper Vocal, A Barca e Ilu Obá De Min. Em 2014 lançou seu primeiro disco solo, “Encarnado”. O álbum foi um sucesso de público e crítica e venceu o Prêmio APCA, Governador do Estado e Multishow, entre outros. No ano seguinte, Juçara lançou “Anganga” ao lado do músico e experimentador carioca Cadu Tenório.

Em 2017, inspirada no livro “O mito de Sísifo” de Albert Camus, ela lançou “Sambas do Absurdo” com Rodrigo Campos e Gui Amabis.  Desde 2018, Juçara realiza, ao lado de Kiko Dinucci e Thais Nicodemo, o show “Brigitte Fontaine”, em que canta em francês repertório da artista. Em fevereiro de 2019, Marçal estreou como atriz na peça “Gota d’água {Preta}”, montagem do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes, com elenco majoritariamente negro. Agora ela busca uma nova página nessa carreira de êxitos.

Juçara Marçal Crash

Crédito: Pablo Saborido

Em processo de finalização, o projeto contará com o patrocínio do Natura Musical, garantindo a finalização, gravação e lançamento do disco, que poderá ser ouvido nas plataformas de streaming e baixado através do site da cantora (http://jucaramarcal.com.br). Além disso, o projeto também prevê a transmissão de um show / live de lançamento do disco gravado na Casa Natura Musical em São Paulo e dirigido por Luan Cardoso, e duas lives/conversas sobre o processo de criação do álbum.

O lançamento será do selo carioca QTV, responsável por trabalhos de Negro Leo, Tantão e os Fita e MBÉ e do histórico disco de estreia do Índio da Cuíca.

Juçara Marçal foi selecionada pelo programa, através do Edital Natura Musical 2020, ao lado de nomes como Linn da Quebrada, Bia Ferreira, Kunumi MC, Rico Dalasam. Ao longo dos 16 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 140 projetos no âmbito nacional, como Lia de Itamaracá, Mariana Aydar, Jards Macalé e Elza Soares.

“A música propõe debates pertinentes, que impactam positivamente na construção de um mundo melhor. Acreditamos que os projetos selecionados pelo edital Natura Musical podem contribuir para a construção de um futuro mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

Ouça “Crash”: https://onerpm.link/Crash

Assista ao clipe na vertical no IGTV: https://www.instagram.com/tv/CTS1-2qAKnG

Juçara Marçal Crash

Crédito: Pablo Saborido

Juçara Marçal: Cantora. Locutora. Professora de canto. Professora de língua portuguesa. Formou-se em Jornalismo e em Letras pela USP (Universidade Federal de São Paulo). Em 2000 defendeu sua dissertação de Mestrado em Literatura Brasileira sobre o memorialista mineiro Pedro Nava. Lecionou Canto no curso superior de Teatro da universidade Anhembi-Morumbi. Realizou oficinas de Canto para grupos.  A partir de 2008 integrou o trio Metá Metá, ao lado de Kiko Dinucci e Thiago França, com os quais lançou em 2011 o CD “Metá Metá”. O disco contou com 10 faixas, dentre as quais “Vias de fato” (Douglas Germano, Edu Batata e Kiko Dinucci), “Obatalá” (Kiko Dinucci), “Trovoa” (Mauricio Pereira), entre outras. O show de lançamento do disco foi apresentado no SESC Pompeia, em São Paulo. Participou da gravação do CD “Sem destino” (2010), de Luiz Tatit, no qual interpretou a faixa “Quem gostou de mim”. Em 2014 lançou o CD “Encarnado”, com 12 faixas das quais participam os músicos Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, como “Damião” (Douglas Germano e Everaldo Ferreira da Silva), “E o Quico?”(Itamar Assumpção), “Pena mais que perfeita” (Gui Amabis e Regis Damasceno), “Velho amarelo” (Rodrigo Campos), as inéditas “Cirando do aborto” (Kiko Dinucci) e “Queimando a língua” (Romulo Fróes e Alice Coutinho), entre outras. Nesse mesmo ano participou da série “Cantoras do Brasil – terceira temporada” exibida pelo Canal Brasil, na qual interpretou músicas do repertório de Isaura Garcia. Apresentou o show “Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci cantam Itamar”, celebrando a obra do compositor paulistano Itamar Assumpção ao lado dos amigos, no palco do Audio Rebel, no Rio de Janeiro. O CD “Encarnado” foi eleito pelo Jornal O Globo um dos 10 melhores discos de 2014. Em 2015 lançou, ao lado de Cadu Tenório, o CD “Anganga”, que incluiu registros de cantos dos congados de Minas Gerais, como os vissungos – cantos de trabalho dos escravos mineiros – reunidos pelo filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho. Nesse mesmo ano lançou pelo selo Goma Gringa Discos a versão em vinil do CD “Encarnado”. Em 2017 lançou, ao lado de Rodrigo Campos e Gui Amabis, o CD “Sambas do absurdo”, inspirado no texto “O mito de Sísifo” (Albert Camus). O disco incluiu oito sambas intitulados “Absurdo” e numerados de 1 a 8.

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http://jucaramarcal.com.br/

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