Idealizado na pandemia, “Naquele Tempo” reúne artistas cearenses e debuta EP

 

“Tudo já aconteceu”, que contou com mixagem e masterização de Régis Damasceno, será lançado nesta sexta, 30.  100% do valor arrecadado pela execução via streaming será doado para a instituição Casa Bate Palmas, do Jangurussu

 

Um projeto musical solitário que surgiu despretensiosamente no meio da pandemia, mas que, com o tempo, acabou reunindo outros artistas e parceiros. Em comum, todos buscavam formas possíveis de criar uma experiência sonora catártica e envolvente, sem abrir mão do contexto social e político em que o País está passando neste momento. O resultado dessa junção de ideias pode ser conferido no primeiro EP do grupo, intitulado “Tudo já aconteceu”, está nas principais plataformas digitais.

A produção do EP começou em 2020, durante o lockdown, logo após Diego César voltar para o Brasil após uma temporada na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Durante os dias “isolado e afastado”, decidiu reunir vários fragmentos de ideias de músicas e arranjos que ele já havia feito anteriormente, além de explorar outras experiências e aprender coisas novas, como compor e fazer arranjos de baixo, por exemplo. “Fiquei completamente sozinho durante muitos meses, por isso costumo brincar que esse EP salvou a minha vida. Foi a primeira vez que eu produzi um disco inteiro e escrevi todos os arranjos, toquei praticamente todos os instrumentos, escrevi as letras e gravei as vozes”, explica Diego.

O artista destaca que a gravação de “Tudo já aconteceu” foi feita com a colaboração de grandes amigos, como Diego Barros, na pré-produção e edição, Rami Freitas, que fez toda a captação, e Zé George, que gravou todas as baterias em apenas um dia. O projeto contou ainda com a participação de Régis Damasceno, que topou fazer toda a mixagem do EP, e Letícia Cacau, que entrou na banda como vocalista e ainda colaborou com o poema de “Olho do Sol”.

A inspiração para as canções de “Tudo já aconteceu” não poderia ser mais plural. O EP, assim, flerta com a MPB da primeira metade do século XX, como o samba, o choro e o baião, ao mesmo tempo em que explora o rock psicodélico dos anos de 1960 e o progressivo, da década de 1970. As referências, entre românticos e radicais, estão Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Tom Zé, Cartola, Originais do Samba, Baden Powell, Beatles, Yngvie Malmsteen, Jimi Hendrix, King Crimson e Radiohead.

“Gostamos de chamar essa mistura de POST MPB, pois nos permite nos expor a cadências clássicas como pano de fundo para misturar o passado e o futuro e criar um samba para o nosso tempo, ou até mesmo um novo jeito de chorar de amor e rebolar os quadris sem ser careta”, destaca Diego César.

Manifesto

Paralelamente ao EP, a banda “Naquele Tempo” lançou ainda um manifesto, voltado para os artistas independentes do mundo inteiro. A ideia é pensar e desenvolver iniciativas concretas de impacto social por meio da arte. Nesse sentido, todo o valor arrecadado pela reprodução das músicas de “Tudo já aconteceu” nos serviços de streaming será destinado para a “Casa Bate Palmas”, instituição que trabalha com ações inclusivas de arte e cultura para crianças, jovens, mulheres, LGBTQIA+ e a população em geral do Conjunto Palmeiras, no Grande Jangurussu, área que possui um dos menores índices de IDH de Fortaleza.

“Na busca desse novo significado, nos deparamos com o cenário de fragilidade humana gerada pela desigualdade social e agravada seriamente pelo contexto pandêmico. Decidimos direcionar 100% do valor arrecadado pela execução das nossas músicas nos serviços de streaming para essa instituição como forma de proporcionar melhoria de vida às pessoas afetadas pela vulnerabilidade social em nossa cidade. E faço um convite para que outros artistas também pensem em alternativas semelhantes”, pontua Diego César.

Além disso, antes do lançamento do EP, o grupo vai realizar uma série de lives com o objetivo de compartilhar ideias e informações sobre a produção cultural em tempos de pandemia e também sobre o processo criativo na concepção deste trabalho. No dia 18, às 18h, Rami Freitas vai conversar com o público sobre os desafios de se fazer um disco neste atual momento. No dia 21, às 19h, Bete Augusta fala de experiências sobre arte e impacto social. Para finalizar, no dia 25, será a vez da banda e Régis Damasceno conversarem sobre o EP em si, destacando inspirações, curiosidades e referências, dentre outros temas.

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