Festival Girasol trazendo grandes shows ao Piauí

O Festival GiraSol reuniu cerca de 15 mil pessoas em Teresina e marca a volta da cidade ao circuito de festivais nacionais.

Nos dias 17 e 18 de setembro, Teresina foi palco do seu primeiro festival de música, após 13 anos de lacuna com o fim do Piauí Pop. O Festival GiraSol, trouxe de volta a ansiedade e euforia que precedem os grandes eventos já tão escassos na cidade.

Com um público vindo de cerca de 12 estados diferentes, ficou mais do claro o quanto essa volta era necessária, trazendo o retorno do público não só da capital piauiense, como a movimentação da economia e turismo.

O Festival GiraSol é um projeto assinado pela produtora de entretenimento BLR, em parceria com o Grupo Cidade Verde. Abrangendo música, arte, diversidade e sustentabilidade, resgatando memórias da cena musical local. Com quase 30 atrações locais e nacionais o evento contou com momentos históricos, pioneiros e emocionantes que movimentaram Teresina desde antes de propriamente o GiraSol começar. A ideia, segundo a organização, era envolver a população, além da programação de shows, em um conjunto de outras ações paralelas.

Durante os meses que antecederam o festival, a cidade recebeu as seletivas pra escolha das bandas locais. Com diversos shows gratuitos, o público já pode ter o gostinho do que estava por vir. Praças públicas, ruas e escolas foram presenteadas com atrações da região, levando cultura acessível a todas as zonas da cidade.

“A gente entende que mudar, girar, só depende de nós, por isso chegamos como um movimento, um projeto que convida o público a colaborar junto conosco. Queremos Teresina volte a ser um palco de encontro da música nacional e local, celebrando a pluralidade e o que temos de melhor por aqui. É um festival realmente nosso, feito pra nós, e que vai buscar contribuir com a realidade da cidade” comenta Bruce Cordão, diretor comercial da BLR ( Empresa que realiza o evento).

PRIMEIRO DIA DE FESTIVAL

 

A abertura oficial do GiraSol deu início com a apresentação do artista Piauiense Math Gabe. O cantor de 20 anos faz uma mistura de sons e estilos, do regional ao MPB. Entre as músicas do repertório, estavam “Você me entende?” e “Parasita de amor”.

A primeira banda a subir no palco principal foi a também nascida em Teresina, a Florais Da Terra Quente mistura rock, folk e músicas regionais. O coletivo de músicos surgido em 2018, conta com mais de 1 milhão de streamings nas plataformas digitais de músicas.

Ainda tivemos no palco principal shows da Planta e Raiz que desde 1998 trazendo seu Reggae e dando aquele clima mais leve para o festival, ainda continuando nesse leveza veio o trio Melim e logo após o  Lagum , as duas citadas trazendo um pop com pitadas de reggae.

A segunda atração do palco intitulado B-R-O BRO (termo usado para os meses mais quentes do ano no Piauí: Setembro, Outubro e Novembro) foi o Preto Kedé , que animou o público com sua mistura de rap e funk, com foco nos problemas sociais das periferias.

Outro destaque da noite entre as bandas regionais foi Bia e o Becks, Misturando blues, pop, soul, funk americano, nova mpb, brega e outros ritmos. O grupo formado em 2012 trouxe muita alegria e dança pro palco do GiraSol. Cantando sucessos do primeiro EP da banda intitulado “Universo Quenga”

Voltando ao palco principal, teve a primeira vez da Recifense Duda Beat em Teresina. A cantora entoou grandes sucessos e fez o público vibrar com a as músicas “Chega” e “Bixinho”.

Também tivemos a volta muito aguardada da banda CPM 22, que por conta de atrasos no inicio das atrações, acabou entrando muito tarde no evento e teve um publico mais reduzido, mas não por isso menos empolgado com o reencontro com a banda. CPM era uma das principais atrações no antigo festival Piaui pop em meados dos anos 2000 e teve um jejum de 13 anos sem pisar na capital piauiense.

Em momento emocionante, o vocalista da banda Badui disse: “Nós fazemos o show pra vocês( apontando para pessoas da plateia), os nossos fãs de verdade, que esperaram ate tão tarde pra poder assistir nosso show!” . A banda encerrou o primeiro dia do festival por volta das 4:45 da manhã.

 

SEGUNDO DIA DE FESTIVAL

A abertura do palco principal se deu por um dos shows mais aguardados da noite. Lil Whind( codinome artístico do projeto de trap do Whindersson Nunes) já iniciou o show emocionando o publico, antes de entrar no palco cantou uma toada de vaqueiro improvisada pro festival, em que em certo momento diz “Posso ir ate pro Japão, mas carrego o Piauí”. Whindersson emocionou e se fez emocionar entre cada música, por estar cantando em um palco em sua terra natal. O artista trouxe como convidados do segmento Trap o grupo Hungria, Rapadura e Artuzinho.

Outro ponto alto do seu show foi a “chuva” de Air Jordan( cerca de 60 mil reais em tênis que comprou pra jogar pro publico) além de tecnologia utilizada em publico com deficiência auditiva, para que pudessem sentir vibração das músicas. “É o festival da acessibilidade”, destacou.

Emicida foi a segunda atração do palco principal, e como já era de se esperar levou o publico as lagrimas. Após 9 anos sem vir a capital piauiense, o rapper fez um show com os seus maiores sucessos e um discurso potente.

Em momento emocionante, Emicida chama Whindersson ao palco pra dedicar e cantar com ele a música “Levanta e Anda” que, segundo ele, o ajudou a passar por momentos difíceis em que o mesmo quis desistir de tudo. “Que a gente não demore mais a se encontrar”, arrebatou Emicida.

 

No Palco B-R-O- BRÓ, tivemos talvez a banda mais pesada do festival, o pessoal da Corona Mimbus, trazendo o stoner com slude, esse duo veio com um peso que não tínhamos tido no festival, e que muito agradou ao público, onde vemos que um festival bem diversificado, trazendo shows para todos os estilos e para todos os públicos.

E dando continuidade ao palco principal, tivemos o show do  Frejat , onde trouxe suas grandes canções desde carreira solo a clássicos do Barão Vermelho,  e um dos momentos de diálogo com o público, defendeu a necessidade de acreditar no amor e na paz. “A gente tem que acreditar no amor, que a gente pode fazer coisas boas sem receber de volta.  Acreditar que a gente não vai resolver os problemas da nossa vida na porrada ou na bala”, ressaltou. E em entrevista a Cidade Verde, ainda conta seu relacionamento com o Piauí, pois seu pai foi criado na cidade de Floriano.

E fechando o Palco B-R-O- BRÓ,  tivemos a Roque Moreira com seu som da mistura de rock, funk, reggae a linguaguem e sons regionais, a banda trouxe a irreverencia da sua apresentação com um ritmo dançante e diversificado, fechando perfeitamente o palco.

E com o a chegada do final do festival, as atrações destacadas traziam um clima muito mais festivo, e entre essas atrações tivemos o  veterano da música Alceu Valença, que iniciou o show com “Pagode Russo” de Luiz Gonzaga, fazendo o publico vibrar e dançar, além de cantar sucessos como: “Xote das meninas”, Girassol, Sabiá”, “Coração Bobo”, “Belle de Jour”, “Anunciação”, “Tropicana” e muitos outros. Outro ponto do show do Alceu foram aquelas bolas gigantes que são jogadas ao público, porém o mesmo se irritou e pediu para interromper, ou iria parar o show. O que ficou engraçado, foi pedir que interrompesse ao tocar Coração Bobo, que tem a seguinte frase: “Coração bobo, coração, coração bola”

E chegou o momento da BaianaSystem entrar no palco para encerrar o festival, onde estiveram pela primeira vez em terras piauienses, o grupo de baianos formado em 2009, se destacou pela mistura de ritmos como união entre a música eletrônica do movimento sound system jamaicano com influências do afoxé, kuduro, samba, sambareggae, cumbia e a sonoridade da guitarra baiana criada por Dodô & Osmar.

TECNOLOGA E ACESSIBILIDADE

Além dos espaços pensando para ter maior acessibilidade para pessoas com necessidades especiais e mobilidade reduzida, e tradutores de Libras no palco principal e caixas que falavam a língua de sinais. Durante a apresentação de Lil Whind,8 selecionados com deficiência auditiva usaram uma tecnologia chamada MR, desenvolvida pela pela startup piauiense TRON. A empresa, que desenvolve ações de robótica em escolas, tem Whindersson Nunes como um dos seus sócios.

Essa tecnologia transmite vibrações para a pessoa surda e ela consegue sentir em três pontos do corpo as ondas sonoras vibrando. Elas saem da experiência de apenas ver a tradução em libras e também conseguem sentir e até perceber o balanço da música com o dispositivo no corpo.

Sem duvidas o evento encerra com sucesso e ja deixa uma grande expectativa pra ja confirmada proxima edição.

 

Texto por Luana Sousa

Vídeo de Winderson e Emicida gravado  por Daniela Oliveira( @danielaolis)

Foto Equipamento tecnológico MR por Breno Moreno.

Demais fotos do festival, feitas por Gabriel Nascimento.

 

%d blogueiros gostam disto: