Dramón: experimentações e quebra-cabeça distópico

Dramón é o projeto de música experimental de um homem só, o carioca – radicado em São Paulo – Renan Vasconcelos. O produtor e multi-instrumentista cria a partir de ferramentas ao seu alcance e o resultado são canções introspectivas, que sugerem imersões, de diversas naturezas e intensidades.

Após o lançamento do single Bétula // Membrana, em janeiro deste ano, o Dramón agora foca no disco Áspero, que sai no final de março pelo selo Sinewave, mas antes tem o single Vencer o Sol, no dia 12/3.

Leia com exclusividade no Cabana da Música a breve entrevista com a mente criativa do Dramón.

Para quem ainda não conhece o Dramón, e pensando num público heterogêneo do Cabana da Música, como você explicaria o tipo de música do projeto?
Renan Vasconcelos: Tendo em vista que o Dramón é um projeto de experimentações, o que sai é algo entre a música ambiente, post-rock e eletrônica.

Dramón é projeto de um homem só. Você já teve experiência de seis anos com a banda Avec Silenzi, então, qual é a diferença na dinâmica da composição e produção? 
Renan Vasconcelos: Esse projeto eu iniciei com o propósito de fazer música experimentando com o tempo, técnica e ferramentas que estão a meu alcance. Passei a estudar produção, investir em determinadas necessidades técnicas que venho a ter ao longo dessa jornada, e os lançamentos têm sido também a história da evolução disso tudo. Essa dinâmica solitária dá bastante liberdade de escolher que caminhos percorrer. A parte ruim é justamente estar sozinho, e ter menos (ou não ter) trocas com outras pessoas.

Comente um pouco sobre o disco, que sai via Sinewave. Pode adiantar qual será o primeiro single e quando sai?
Renan Vasconcelos: No final de março sai meu primeiro disco intitulado Àspero. São 8 músicas em que me mantenho trilhando ainda o mesmo caminho que trilhei até agora com outros lançamentos. As características sombrias e melancólicas ainda estão presentes, mas dessa vez há uma gama maior de sons e experimentos. Há participações pontuais de amigos e essa troca muda bastante o resultado final. O primeiro single se chama “Vencer o Sol” e sairá dia 12 de março.

Ansiedade e o sufoco na metrópole inspiraram um EP e alguns singles. E para o álbum, que sai em breve, quais são as referências extra musicais?
Renan Vasconcelos: Acho que continuo montando meu quebra-cabeça distópico com essas características melancólicas e sombrias que mencionei anteriormente. Características que me acompanham desde o primeiro EP, só que, dessa vez, por se tratar de um disco, o panorama é um pouco mais amplo. A gente vive uma distopia enorme que é o capitalismo, e que não nos dá muita perspectiva. Nossas condições sociais e políticas estão se deteriorando muito rapidamente, e a resposta não vai estar em um sistema que forja essas crises. Assim como o presente á nebuloso, o futuro parece ainda pior. O título do álbum é uma referência à esse momento presente pouco confortável e seguro, além de um futuro que não parece possível.

A música produzida pelo Dramón é bastante consumida principalmente no exterior. O Dramón já tem um público fora do Brasil?
Renan Vasconcelos: Em 2019 fiz uma mini tour pelo Chile, e firmei parceria com um selo de lá chamado Samsara Records. Tenho também algum contato com selos e pessoas na Argentina e Uruguai. Parece-me que a música ambiente é quase um estilo musical internacional, algo que alguns chamam de “Forth World”, que é um conceito do mundo globalizado trocando informações culturais.
Acho que a música ambiente está na vanguarda desse conceito, pois tem processado muito bem essas informações trocadas de uma parte a outro do mundo, a ponto de não parecer um estilo específico de algum lugar ou cultura. Sigo artistas da América do Sul à Ásia, e é difícil dizer de onde vem cada um, se você não souber com antecedência. E todos soam muito bem e originais.

Confira novidades e fique por dentro dos lançamentos do Dramón: https://www.instagram.com/dramon__.

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