Em “Corpo Intruso”, rapper Billy Saga reflete sobre a falta de inclusão de pessoas com deficiência

Junto ao single, Billy Saga lançou videoclipe em duas versões: a original e a acessível, com audiodescrição e intérprete de Libras

Billy Saga

Capa do single “Corpo Intruso”

Em 2009, na Itália, a coreógrafa paulistana Estela Lapponi criou o termo “corpo intruso“, e, com ele, deu início a uma investigação cênica, visual e conceitual sobre tudo que é visto como diferente em sociedade, com enfoque no corpo com deficiência. O conceito é a principal referência do mais novo lançamento do rapper Billy Saga.

E do fundo do abismo os normais me olharam confusos, eu que estava no topo, logo eu, um corpo intruso” – Trecho do single Corpo Intruso, de Billy Saga.

O single “Corpo Intruso” chega a nós em um momento muito simbólico. Estamos em meio aos Jogos Paralímpicos de Tóquio, um evento esportivo mundial com atletas qualificados, que, da mesma forma que os atletas olímpicos, treinaram muito para representar seus países, mas frequentemente veem suas trajetórias sendo resumidas à histórias de superação.

Através do poder da música, Billy tenta chamar atenção das pessoas a um problema muito urgente: o capacitismo – preconceito social e discriminação de pessoas com deficiência. Bem como o racismo, o machismo, a LGBTfobia e outras formas de discriminação, o capacitismo – ainda que pouco discutido – é estrutural, pois está enraizado na sociedade de várias formas, desde os discursos que tentam colocar pessoas com deficiência a extremos de fardo à herói, até a falta de inclusão em relações sociais e profissionais, dentre outros fatos.

Com minha música tenho a possibilidade de conquistar mais espaços, pois vou conseguir alcançar não só as pessoas com deficiência (24% da população brasileira) e simpatizantes do segmento, mas também todos os outros atores responsáveis pela construção da inclusão. Precisamos tirar o rótulo radical sobre pessoas com deficiência, de super herói, como nossos medalhistas paralímpicos, ou no outro extremo, de coitadinho, com todos os seus direitos negados. Somos pessoas e ponto.”, reforça Billy Saga.

O single foi lançado com um videoclipe, composto por cenas em que o rapper aparece cantando em uma quadra de basquete e em uma mini rampa. Em outras cenas, um paratleta com sua cadeira de rodas está jogando basquete com outros atletas andantes, e um skatista paratleta pratica o esporte em uma mini rampa e em uma pista de skate. É assim que Billy faz a audiodescrição do vídeo em uma versão acessível (também com intérprete de Libras), lançada junto à música e à versão original do videoclipe. Mais uma vez, ele mostra na prática o que realmente significa acessibilidade e como ela deve ser compreendida como um direito e dever de todas as pessoas.

Inteligência emocional pra não perder a linha, pois inclusão só no discurso é ladainha” – Trecho do single Corpo Intruso, de Billy Saga.

A exemplo de Billy, um artista e ativista social com deficiência, é preciso questionar-se: onde estão as pessoas com deficiência? Como você trata e reconhece uma pessoa com deficiência em sociedade? O lugar onde você mora é realmente acessível? E as escolas são inclusivas? Você conhece alguma empresa liderada por uma pessoa com deficiência? Como elas são representadas na mídia? E as políticas públicas são eficientes?

Com as barreiras que tentarem me impedir, vou grafitar, dinamitar, vou implodir” – Trecho do single Corpo Intruso, de Billy Saga.

Assista ao clipe de “Corpo Intruso“, de Billy Saga:

Clique aqui para acessar a versão acessível do clipe, com audiodescrição e Libras.
Clique aqui para ouvir o single nas demais plataformas de streaming.

Clipe: Direção: Marina e Murilo Amancio; Câmera: João Bonafé e Murilo Amancio; Assistente: Vitor Peracetta e Tuti Camargo; Consultoria sobre Inclusão: Billy Saga; Ator Basquete: Tite; Ator Skate: H. “John” (Atleta gentilmente cedido pela Jumper Equipamentos)

Single: Beatmaker: Skeeter; Mix e Master: Luís Lopes (C4 Estudio); Composição: Billy Saga

Capa: Direção de Arte: Lambuja

Agradecimentos: Estela Lapponi (Corpo Intruso foi um conceito criado por essa artista em 2009)

Realização: Listo Music

Quer conhecer mais? Visite a Cabana Da Música. Siga nosso conteúdo no Instagram e no Twitter.

%d blogueiros gostam disto: